Entrevista Professor Léo Lima Porto Digital

(Em termos de produtividade), não somos capazes de competir com (as infatigáveis) máquinas. Sendo assim, temos que preparar humanos para serem mais criativos, reflexivos e empáticos. Temos que educar melhores humanos.

 

Podemos falar que o empreendedorismo está relacionado com as Habilidades exigidas no futuro? Porque ensinar empreendedorismo na escola?

 Se pensarmos em empreendedorismo como o processo para atingir um objetivo, buscar soluções, resolver problemas sociais, executar, percorrer uma jornada e principalmente trabalhar a autonomia da criança, temos sim que propiciar essa experiência para as crianças. A escola precisa estimular e desenvolver habilidades, para que o estudante, seja protagonista  ao empreender os problemas cotidianos, para que através dessa jornada empreendedora, ela possa desenvolver o pensar crítico, a comunicação, a criatividade, a colaboração a empatia, o respeito à diversidade e outros aspectos fundamentais para os humanos do futuro no qual as maquinas não poderão se equiparar a nós (ao menos no futuro próximo).

Ao pensar este empreender na educação infantil, precisamos encontrar formas de orientar as crianças a planejar suas jornadas (empreendimentos) e termos os professores como orientadores neste processo de descoberta. Esta orientação pedagógica é essencial, pois se aventurar nesta jornada, muitas vezes significa não atingir os objetivos esperados, ou seja, falhar. Este é um dos aspectos que precisa ser habilmente trabalhado pelo orientador, transformando um momento que poderia ser de frustração em estimulo a buscar novos caminhos. Da mesma forma é necessário fomentar a inquietação diante do resultado esperado. Diante do sucesso muitos sentem que o objetivo foi alcançado a agora podem descansar, sendo essencial estimular um olhar reflexivo para os pontos de melhoria do projeto, permitindo uma continuidade da jornada. Precisamos pensar o empreender como uma forma de estimular os ciclos de aprendizagem, enxergando os resultados esperados (sucessos) e os inesperados (falhas), como pausas para reflexão e aprendizado, não como pontos de chegada. É preciso enxergar que as jornadas são empreendidas em ciclos e não de forma linear.    Empreender está diretamente conectado à experimentação, sendo o professor o fio condutor deste processo.

Precisamos educar para que a criança saiba aonde quer chegar, e oferecer ferramentas e processos para que ela alcance os seus objetivos. Precisamos desenvolver na criança a curiosidade e a possibilidades de buscar referências, e a partir daí construir soluções criativas em resposta às demandas especificas para os diferentes estratos da sociedade.

Um bom caminho para essa formação pode ser a gamificação, que se for articulada de forma efetiva, permite a criança experimentar qualquer jornadas como erros e acertos, permitido o aprendizado que vem da experimentação orientada, estimulando o protagonismo dentro da escola. A criança do futuro poderá usar esse conhecimento para desenvolverem não só projetos de carreiras, mas também um projeto de vida.

 

Como despertar o empreendedorismo nas crianças?

 Precisamos rever a cultura do autoritarismo e da obediência, e criar uma cultura de autonomia, permitindo o protagonismo do estudante, estimulando que saia de seu papel passivo dentro do processo de ensino/aprendizagem se tornando elemento central que busca o conhecimento em suas jornadas empreendedoras. Esta autonomia é necessária p que as crianças inovem as ações, sejam criativas e achem novas soluções para demandas do mundo futuro.

Precisamos desenvolver projetos que despertem o interesse da criança, e para isso precisamos trazer as crianças para o processo de planejamento das aulas, precisamos de uma escuta ativa, uma atenção genuína, um olhar atento e precisamos principalmente  observar e conversar com a criança sobre suas inquietações e interesses, o que chama, o que  prende a sua atenção e como elas se sentem.

 

A indústria da educação e os professores atuais.

 Precisamos urgentemente refletir se as instituições de ensino estão preparando as crianças para serem obedientes funcionários ou autônomos empreendedores. É necessário aprofundar a discussão sobre a tecnologia e educação permitindo que novos produtos tecnológicos sejam adicionados à esfera da educação, mas, sobretudo, que sejam adicionadas novas mentalidades e processos que deem conta da complexidade do mundo em que vivemos e que viveremos.  Para que estas mudanças ocorram é essencial entender o professor como elemento central do processo de transformação. Precisamos criar estruturas que permitam a dedicação do professor ao processo de pesquisa para orientação e elaboração de propostas ricas e diversas! Temos que proporcionar aos educadores a possibilidade de compartilhar dinâmicas engajadoras e bem-sucedidas com outros educadores, estudantes e com a sociedade, permitir que eles possam se atualizar sobre processos inovadores, novas tecnologias, audiovisual, teatro, música e dança. Temos que permitir que o professor saia de uma jornada extenuante de preparação, execução e revisão de atividades.

Onde não há tempo para explorar e inovar. Onde explorar e inovar são vistas como ameaça à produtividade no treinamento dos estudantes, de forma muito semelhante ao que podemos observar em indústrias, que também não inovam por receio de comprometer a produtividade e terminam perdendo relevância e fechando as portas. É importante que juntos, sociedade, escolas, professores e estudantes nos debrucemos e pensamos sobre as escolas que queremos para o futuro e que formação esperou. Queremos que as escolas formem cidadãos mais “robotizados” ou mais “humanizados”?

 

Qual o papel do professor no processo de construção do conhecimento para o empreendedorismo?

O professor é o elemento central desse processo de desenvolvimento de uma educação autônoma e empreendedora. Fomentar a autonomia é provocar no estudante a curiosidade nas buscas de respostas, a organização estruturada de informações coletadas, a avaliação dos dados esperados e inesperados obtidos, a geração e avaliação de soluções.

Vamos dar um exemplo pratico.

Desafio: Precisamos construir um parque novo na escola.

Quem vai usar este parque? Todos os estudantes? Apenas os mais jovens?

Quais os parques que conhecemos?

Quais os parques que passamos a conhecer após pesquisa?

Quais as características dos parques que observamos que desejamos manter e quais nós não queremos?

Quais os brinquedos que queremos e não queremos? Por quê?

Como poderíamos deixar este parque único? Ele é todo sustentável, feito com material reciclado? Os brinquedos utilizam as arvores como base para criação?

O que não tem no parque e você gostaria que tivesse?

Que outros elementos poderiam estar presentes no parque? Local de descanso? Mesas para lanche? Uma fonte de água? Flores nos canteiros?

Vamos montar um protótipo do parque da escola? Como podemos dividir esta produção em grupos?

Nesse processo podem ser formados grupos que vão realizar esse processo de pesquisa e criação através da orientação dos professores no processo de divisão das atividades no grupo, pesquisa, coleta de dados, ideação, geração de protótipos, defesa de propostas e avaliação do grupo. Contar com professores orientadores que poderão mentorar os grupos durante este processo é tão essencial para acelerar o processo de apreensão do conhecimento como é para uma startup que participa de um processo de incubação.  É necessário não perder de vista que esta é uma atividade colaborativa, onde os grupos se entendam como mini-startups parceiras, gerando soluções para a escola e para os colegas.

 

Como é realizado o processo de construção do conhecimento e execução no LOUCo (Laboratório de Objetos Urbanos Conectados), que é um laboratório aberto a sociedade do Porto Digital?

No LOUCo, todas as pessoas são bem-vindas com suas ideias de projetos e empreendimentos que melhorem a qualidade de vida das pessoas.

Ao se tornar usuário do lab, identificaremos como podemos contribuir para que aquela ideia se torne um projeto, e que este projeto se torne um empreendimento, tendo em vista que estamos no mesmo prédio da JUMP, a iniciativa de empreendedorismo do Porto Digital.

Esta contribuição pode ser através de mentorias em pesquisa e entendimento do problema, prototipação através uso de equipamento de corte laser, impressora 3D, placas controladoras e circuitos eletrônicos e placas controladoras (arduino e Raspberry PI) e, sobretudo contribuiremos para que conexões sejam geradas entre os diversos projetos que transitam pelo nosso espaço. Sempre deixamos claro que o que existe de mais interessante no LOUCo, é a sua vibrante comunidade que vive inquieta para melhorar nosso mundo! Aqui, inovação e empreendedorismo, são mais do que palavras, são ferramentas de construção de mundos melhores!  Juntem se a nós venham protótipar o amanhã!

 

 

 

 

 Léo Lima é um profissional interdisciplinar que trabalha na indústria tecnológica, com foco em produtos inovadores. Bacharel em Antropologia e mestre em Design Profissional pelo CESAR.School. Ao longo de sua carreira, trabalhou com cinema, educação, design de jogos e design de interação. Atualmente coordena o LOUCo (Laboratório de Objetos Urbanos Conectados), um dos laboratórios do Porto Digital. Trabalha em um ambiente ágil, com foco na entrega de valor para os negócios, de uma forma rápida e incremental. Devido à sua formação em antropologia sente-se muito confortável em trabalhar sob a perspectiva de design thinking, com o usuário no centro do processo de design.

 

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