Como formar estudantes para profissões que ainda não existem?

Educação Maker aponta caminhos

 

O que inventaram primeiro: o vaso sanitário ou o tablet? A pergunta parece absurda para quem tem mais de vinte anos, mas foi feita por uma criança ao seu pai. Para ela, os dois objetos sempre existiram. A geração presente lida com a tecnologia de modo natural e não precisa de esforço para aprender a usar o smartphone. Ao contrário de pais, avós, tios… e professores.

Nosso sistema educacional ainda é focado no currículo formal e no acesso à universidade, mas as profissões do futuro sequer foram inventadas! As crianças de hoje não se identificam com a escola convencional, moldada no modelo “senta e escuta”. Buscam na internet vídeos de tutoriais e estão mais suscetíveis ao risco, a aprender com o erro e desenvolver competências variadas. Precisam se identificar como agentes de transformação de mundo e entender como vão criar soluções para problemas cotidianos.

Docentes já buscam alternativas diante desse processo amplo – e rápido! – de transformação. Mas como inovar se têm que seguir o currículo prescrito e aplicar provas? Professor e professora continuam essenciais. Assumem o papel de problematizador para gerar novas situações de aprendizagem e tornam-se parceiros, ajudando a conectar e dar sentido aos conteúdos. A aprendizagem passa a ser significativa, criativa e colaborativa. Nasce a metaescola, onde professores e estudantes ensinam e aprendem juntos e, na mesma medida, são responsáveis pelas suas aprendizagens.

E é aí que tudo se conecta com a metodologia de Educação Maker, do Fab Lab Recife. Começamos prototipando as mudanças: no projeto da maquete de uma casa, quando percebemos, estávamos recorrendo a conteúdos curriculares nas áreas de matemática, geografia e linguagem…  As crianças assimilavam tudo de modo prazeroso e consistente.

Alguns conceitos e iniciativas nos inspiram na busca por um modelo educacional adaptado ao futuro. A aprendizagem baseada em projetos deu lugar à baseada em problemas (PBL, em inglês) e hoje já utilizamos a aprendizagem baseada em desafios (CBL). Disso vem muito a metodologia do Fab Lab Recife. O grupo Lifelong Kindergarten, do Massachussets Institute of Technology (MIT) –   onde nasceram os Fab Labs, propõe um resgate do jardim da infância, inclusive no aspecto físico da sala, onde experimentações passam a ser o foco. Há também a abordagem da Aprendizagem Criativa que defende 4Ps: ter um Projeto, uma Paixão por ele, trabalhar em Pares e me divertir com ele (Play). Hoje já adicionamos um quinto elemento: contextualizar e dar sentido àquele conhecimento.

A universidade precisa se colocar como lugar de transformação e já formar educadores com essa nova mentalidade. Por isso que estamos formatando, no Fab Lab Recife, junto com a UFPE, um curso de extensão em Educação Maker, onde nos colocamos como parceiros dos educadores para despertar o encantamento do aprender fazendo.

 

Artigo escrito por:

Betita Valentim, co-fundadora e sócia do Fab Lab Recife, é coordenadora de Educação Maker, graduada em Psicologia e pós-graduada em Políticas Educacionais e Inovação pela EIPP/Fundaj.

 

Cris Lacerda, sócia e CTO do Fab Lab Recife, é docente da pós-graduação em Tecnologias do Design da UNICAP-ICAM e membro do time de liderança da Singularity University no Recife.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *