Arte Educa?

Arte educa ?

*Por Janine Rodrigues

 

Muitas vezes a conexão que se faz entre arte e educação é equivocada. Isso quando se coloca uma obrigatoriedade da arte ensinar alguma coisa de modo específico. Para exemplificar podemos pensar numa simples atividade de leitura. A arte literária, sem dúvida, contribui muito para a educação. Mas ler somente por obrigação não surtirá o mesmo efeito que ler por hábito. Por prazer. Existe um elemento essencial no fazer e no usufruir da arte : a liberdade.

A arte liberta pensamentos, desperta o senso crítico, incita o autoconhecimento e o conhecimento do mundo que nos cerca. A educação que a arte oferece vai além das matérias curriculares, além das fórmulas, além do concreto e do exato. A arte proporciona um olhar afetuoso sobre as coisas. Sobre o mundo. Por isso é extremamente importante o cuidado nas atividades artísticas realizadas com as crianças. Se nós educadores estamos a todo momento dizendo o que ela deve ler. Com o que e como ela deve brincar. Dando a ela instruções e podando o livre fazer, aí limitamos ou até eliminamos uma série de possibilidades de aprendizagens.

Lembro que certa vez, numa atividade com crianças de 4 a 7 anos presenciei o seguinte comentário :

–       Ué Gael, seu céu é verde? Você usou seu lápis errado. Toma esse aqui.

–       Não!! É esse mesmo ( diz Gael se referindo a cor verde).

–       Não Gael, como eu ensinei? O céu é sempre branquinho ou azul.

Isso me faz pensar em quantos ‘’ Gaeis’’ existem por aí. E quantos educadores que estão esquecendo o poder que da arte. Por que ao menos não perguntamos ao Gael por que ele escolher aquela cor. O céu dele pode ser da cor que ele quiser. E para além disso, se nós, educadores reconhecermos a importância do protagonismo da fala da criança, se soubermos ouvir, se pudermos respeitar a criança como um indivíduo dotado de inteligência, se fizermos tudo isso iremos descobrir a potencialidade intelectual, social e emocional destes tantos ‘’Gaeis’’ pelo mundo afora.

A arte educa se a liberdade for elemento necessariamente respeitado.

Algumas coisas importantes para estarmos atento:

–       Não podar a imaginação da  criança. O lúdico, o brincar, o fazer, o coletivo, pode ensinar muito mais do que o ‘’concreto’’ e as fórmulas pré existentes;

–       Não compare. Nem com o irmão, com os colegas da escola, com ninguém. Toda criança merece respeito, inclusive respeito às suas opiniões.

–       Criança tem vontade sim. Nós adultos educadores somos mediadores dessas vontades por que nem sempre elas são adequadas. Mas muitas vezes a criança pode sim fazer escolhas. As vezes ela não gosta de algo e você pode observar e ver se esta oposição dela a  alguma coisa se repete. Seja respeitoso. A autoestima dela e a noção que ela tem sobre ser respeitada começa na forma como ela é tratada por sua família;

–       De e saiba receber afeto. Mais que qualquer outra coisa. De que adianta um lugar lindo, com pessoas com currículos incríveis ( que são importantes, mas não bastam) e a criança nunca ganhar um abraço, não saber se relacionar, não saber conviver. Somos dotados de emoções e isso é essencialmente humano.

 

Janine Rodrigues

Escritora de literatura infanto-juvenil, educadora de Fundadora da Piraporiando

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